1 de agosto de 2014

Resenha: Sangue por K. J. Wignall

“Sangue” é o primeiro livro da trilogia “O Vampiro de Mércia” e promete relembrar aos leitores as épocas áureas dessa temática na literatura mundial. Dessa forma, convido a todos que buscam algo novo nesse gênero a ler a resenha de hoje e desvendar comigo um pouco do que a trama reserva para quem deseja conhecê-la.

Título: Sangue
Série: O Vampiro de Mércia #1
Autor: K. J. Wignall
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 224
Ano: 2014
Onde comprar: Saraiva
1256. Will estava destinado a ser o Conde de Mércia, mas não viveu o bastante para herdar o título, já que foi acometido por uma estranha doença aos 16 anos de idade. Mesmo assim, apesar de sua morte – e de seu enterro –, ele não está nada morto. Ao longo das páginas, o leitor vai compreender um pouco sobre esta condição de Will. Descobrir que ele está existindo entre a vida e a morte. Ocasionalmente hiberna, sempre esperando que a morte lhe chame e, toda vez que desperta, enterrado no solo, tem uma breve lembrança do primeiro pânico que sentiu em 1349. Sangue apresenta como um de seus principais diferenciais o fato de ser mais macabro e sombrio do que as obras atuais do gênero. Para Wignall, o romantismo é importante, mas nunca deve se sobrepor ao enredo. Assim, ele elaborou cenas angustiantes, como as que o protagonista enfrenta sempre que desperta das hibernações, além de ambientes sinistros e escuros e personagens bem-construídos, perversos e sem escrúpulos.

Em outra época Will poderia ser considerado um garoto da nobreza de 16 anos de idade e que seria o próximo conde de Mércia. Mas ao invés de um condado, o que ele recebeu foi uma estranha doença que se alastrou pelo seu corpo e o transformou em um morto-vivo. Invariavelmente, ele teve que observar o seu irmão ocupar o seu lugar e posteriormente, toda a sua família falecer. Não havia nada que ele pudesse fazer para mudar a sua condição, a única coisa que lhe restava era hibernar anos e mais anos sem nenhum propósito aparente, já que a morte pareceu esquecer-se de sua existência. Mas eis que depois da passagem de vários séculos, Will acorda em uma época onde a tecnologia está cada vez mais presente na vida dos habitantes e que diferente de outras eras, parecia exigir alguma coisa do morto-vivo. Determinado a descobrir mais da sua própria essência e dos eventos que o tornaram algo que ele repudia, Will embarca em uma jornada que promete dar um novo sentido a sua vida.

Vampiro é uma palavra lida com um tanto de receio pelos leitores atualmente depois das várias histórias que surgiram no mercado editorial no “boom” ocorrido após o sucesso de público que foi a “Saga Crepúsculo”. Eu, por exemplo, não lia um livro que tivesse esses seres míticos como foco há muito tempo. Mas assim que tive conhecimento do enredo de “Sangue”, fiquei curiosa e com expectativas de que essa história reservasse para mim algo mais que um romance adolescente. E foi assim que iniciei a leitura: cheia de ansiedade e com o desejo de conhecer algo novo acerca de um tema tão clichê na atualidade. Entretanto, para o meu pesar, os tropeços do autor com relação aos pontos que eu mais temia puderam ser notados logo nas primeiras páginas do livro e a leitura apesar de ter sido muito fluída, não foi surpreendente.

Não no que se confere ao desenrolar da história e da construção dos personagens, pois enquanto eu esperava um vampiro sanguinário e sem escrúpulos, mas com uma sede de vingança (ou justiça) que fizesse com que eu me sentisse ligada a ele de alguma forma, o autor apostou em uma busca quase prosaica, e o protagonista Will acabou se transformando em mais do mesmo quando poderia ter sido mais original se continuasse sendo o “lobo solitário” que eu supunha que ele continuaria sendo. É claro que ele não deixa de ser um pouco encantador, ainda mais quando ele relata coisas que aconteceram no seu passado e que de certa forma moldaram a sua personalidade e sua forma de pensar. Mas infelizmente não foi nada que me deixasse rendida ao personagem. O mesmo posso dizer da mocinha da história, pois mimada e birrenta, ela não me conquistou nem mesmo com seu pseudo desprendimento a coisas mundanas em detrimento as necessidades de Will.

O diferencial de “Sangue” ficou por conta da maneira envolvente que o autor relatou detalhes da cidade e fez dela um personagem cheio de mistérios – e com muitos segredos a revelar –, bem como, a maneira inteligente dele alternar entre presente e passado, e primeira e terceira pessoa para esmiuçar alguns detalhes da história de Will e da época em que ele nasceu. Outro ponto interessante é que ele soube fazer um ótimo cliffhanger para o próximo volume da trilogia e me fez ter vontade de continuar acompanhando a série mesmo com a decepção que tive durante a leitura desse livro. Dessa forma, posso encerrar essa resenha dizendo a vocês que apesar do livro trazer clichês invariáveis e rotineiros de histórias relacionadas ao universo vampiresco, o autor também conseguiu ser esperto o suficiente para adicionar outros elementos que fez um contraponto ideal para aguçar a vontade de acompanhar os seus personagens não só nesse, como em todos os outros livros da série “O Vampiro de Mércia”.

[...] Há alguns segredos que valem mais se continuarem guardados. Pág. 9

Playlist:


--- Isabelle Vitorino ---

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