7 de fevereiro de 2014

Resenha: Tequila Vermelha por Rick Riordan

Rick Riordan se tornou mundialmente famoso escrevendo histórias com temáticas mitológicas para jovens. No entanto, apesar de eu ter alguns desses livros, preferi ter meu primeiro contato com a sua escrita através de uma série pouco conhecida (pelo menos aqui no Brasil) e que traz um gênero que eu gosto muito, o policial. Sendo o primeiro de seis livros já publicados no exterior protagonizados por Tres Navarre, ‘Tequila Vermelha’ desde o início envolve o leitor em uma atmosfera mui caliente, repleta de enigmas e cenas de ação. 

Título: Tequila Vermelha
Série: Tres Navarre #1
Autor: Rick Riordan
Editora: Record
Páginas: 432
Ano: 2011
Onde comprar: Saraiva | Submarino
Jackson 'Tres' Navarre retorna para sua cidade natal dez anos após o assassinato de seu pai. Porém, o caminho para as respostas em San Antonio, Texas, é bem mais difícil do que se pensava. Encontros com a máfia, jogos políticos, corrupção e dramas familiares tentarão desviar Tres da verdade ou matá-lo, o que acontecer primeiro. 

Tres voltou para San Antonio depois de passados dez anos desde que seu pai foi covardemente assassinado. Em busca de respostas, ele está determinado a descobrir quem foi o culpado por esse crime ao mesmo tempo em que tenta se redimir com Lilian, seu amor da juventude por quem ainda sente algo. Contudo, as coisas não são nada fáceis, já que a sua chegada trouxe com ela uma série de problemas que ele não esperava ter – incluindo a conquista de novos inimigos poderosos que o perseguem incansavelmente. E como se tudo já não fosse complicado o bastante com a corrupção e as ameaças que recebe todos os dias, ele acaba se envolvendo no desaparecimento de sua ex-namorada que se mostra um caso muito mais complexo do que o esperado e que pode tirá-lo do jogo para sempre.

Com uma escrita simples e cativante, aos poucos o autor Rick Riordan vai mostrando um Texas que deixa o leitor instigado a conhecer todos os seus segredos e leis. Narrado em primeira pessoa, em ‘Tequila Vermelha’ o leitor acompanha Tres em todos os seus infortúnios e se sente praticamente um mexicano com todas as expressões em espanhol que são utilizadas para deixar impresso a certeza de que estamos de fato em San Antonio – uma cidade que fora fundada há muitos anos por um grupo de expedição espanhola e que abriga um grande número de imigrantes vindos do México desde então. E quando eu falo em infortúnios podem ter certeza que eles são numerosos, já que Navarre consegue fazer inimigos, ser quase atropelado e levar surras homéricas em um espaço de tempo tão curto que me surpreendeu o fato dele continuar vivo até o final do livro.

Principalmente quando associado a isso, temos um protagonista teimoso e que mesmo conhecendo os riscos não perde a oportunidade de descobrir mais um fio da meada que o levará a resolução do mistério final. Certamente esse foi o traço de sua personalidade que mais me agradou, pois a todo o momento ele mostra a que veio e não permite que os problemas que surgem ao longo do seu caminho façam com que ele se desvie do seu objetivo. Somado a isso ainda temos o seu humor negro que faz mais vítimas do que todas as armas existentes no estado do Texas e o seu gato Robert Johnson que adora uma boa comida mexicana. A única coisa que me irritou profundamente em se tratado dele foi a obsessão que ele tinha por Lilian.

De verdade, eu entendo que ele estava preocupado com o desaparecimento dela e com os desdobramentos disso, mas eu não consigo entender porque ele se negava a enxergar o óbvio. Ainda mais, quando todos os seus amigos tentavam ajudá-lo com isso e ele simplesmente tomava todo mundo como errado, tornando-se um idiota de primeira linha. Por sorte ele compensa isso com humildade o suficiente para aceitar a ajuda dos seus amigos, incluindo Maia, uma mulher inteligente e perspicaz com quem ele teve um relacionamento no passado, mas que ainda dá indícios de que é apaixonada por ele (preciso dizer: sou team Maia!). No entanto, se analisado mais a fundo, é possível notar que ele recebeu ajuda demais para resolver os seus problemas. E isso vai além de informantes, ele realmente necessitou durante todo o tempo de alguém para cobrir suas costas – fato que o tornou menos brilhante, porém mais real.

Mas como nem só de bons personagens é feito um livro... tenho que confessar que tive um sério problema com a lentidão para a trama ser exposta. Sinceramente eu não sei qual foi a necessidade que o Riordan sentiu para fazer isso, mas a postergação sem fim para expor os pontos importantes da trama deixou a narrativa lenta e cansativa. A construção do texto é tão morosa que nem a escrita fluída do autor torna o livro mais rápido de se ler e o leitor acaba tendo que acompanhar páginas e mais páginas de embromação para chegar a um ponto que poderia ter sido elucidado de forma mais interessante se tivesse sido feito de modo mais preciso. 

Isso por si só já é um defeito que me deixou com um pé atrás com ‘Tequila Vermelha’, mas foi a forma com que o autor permitiu que o Tres continuasse tendo os mesmo pensamentos acerca de determinados assuntos e personagens mesmo depois que soube de toda a verdade, que me deixou ainda mais chateada. No entanto, não posso condenar completamente o autor e a história por esses pontos que citei, já que por ser o primeiro livro de uma série, é natural que nem tudo saia perfeito e que um ou outro defeito incomode o leitor. Só espero que isso não se perdure pelos demais livros, pois eu tenho toda a intenção de continuar acompanhando a vida de Jackson Tres Navarre.

 Eu voltara para casa havia apenas dois dias e já conseguira bagunçar meu frágil relacionamento com Lilian, irritara minha mãe, traumatizara meu gato e fizera pelo menos três novos inimigos.
– Acho que estou na média – disse a mim mesmo. Pág. 46

Playlist:


--- Isabelle Vitorino ---

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