Resenha: A Condessa Sangrenta por Alejandra Pizarnik

Uma editora que sempre me surpreende com os seus lançamentos e com a qualidade de tudo que publicam, é a editora Tordesilhas. É inacreditável como eles sempre me proporcionam experiências de leituras extraordinárias e com livros que eu sequer conhecia. "A Condessa Sangrenta" foi mais um livro arrasador da editora. Garanto a vocês, quem curte uma história baseada em fatos reais e ilustrações bem macabras, precisa conhecer esse livro!

Título: A Condessa Sangrenta
Autor (a): Alejandra Pizarnik
Ilustrador: Santiago Caruso
Editora: Tordesilhas
Ano: 2011
Páginas: 60
Onde comprar: Saraiva | Submarino
A Condessa Sangrenta - Novela de terror inspirada na vida da condessa húngara Erzsébet Báthory, condenada pelo assassinato de 650 jovens mulheres com requintes de crueldade.Vários dos tormentos aos quais as jovens foram submetidas são descritos no livro. Primeira obra da autora publicada no Brasil.Posfácio de João Silvério Trevisan (autor de Ana em Veneza e Devassos no Paraíso). Ilustrações do argentino Santiago Caruso.


Erzsébth Báthory, esse é o nome húngaro da mítica (e temida) condessa que espalhou uma onda de terror nas mulheres da sua época. Sua história é conhecida por muitos, já que sua herança de sangue lhe concedeu acunhas como "A Condessa Drácula". No entanto, diferente do lorde empalador, Báthory tinha um desejo compulsivo por sangue e a ânsia de permanecer jovem e bela pelo máximo de tempo que pudesse.


Com um instinto cruel, ela ficou famosa por seu métodos de tortura que iam desde amarrar suas jovens vítimas a postes e colocar mel sobre elas a fim de que insetos de todo o tipo as torturassem lentamente até colocá-las nuas no lado de fora do castelo em pleno inverno enquanto algum criado jogava água gelada sobre elas. Enfatizo o gênero feminino porque Báthory possuía uma predileção por jovens mulheres virgens. Alguns se perguntam se isso revela a sua orientação sexual, já outros, acreditam que a sua preferência está relacionada apenas aos rituais que ela acreditava ser de beleza.


Sua obsessão pela beleza e juventude é retratado de forma muito lírica pela autora Alejandra Pizarnik, já que com descrições precisas, ela insere pouco a pouco os leitores no universo macabro de Báthory e nos faz questionar a respeito da sanidade da condessa (que adorava tomar banhos de sangue). Sua escrita associada as ilustrações de Santiago Caruso, tornam a experiência de leitura única, pois ambos parecem estar sincronizados de modo perfeito.


Por o livro ser curto, a autora não descreve com muita profundidade as situações nem situa o leitor a respeito da figura de Erzsébth Báthory. No entanto, acredito que essa característica é mais relativa a estrutura do próprio texto de Pizarnik, do que uma falha da autora. Ademais, o livro é uma ótima opção para ver um pouco de ficção na nebulosa vida da condessa, que se torna ainda mais palpável com essa amostra extraordinária do talento do ilustrador Caruso.


Uma cor invariável rege o melancólico: seu interior é um espaço cor de luto; nada acontece ali, ninguém entra. É um palco se cenários, onde o eu inerte é assistido pelo eu que sofre por essa inércia. Este  gostaria de libertar o prisioneiro, mas qualquer tentativa fracassa como teria fracassado Teseu se, além de ser ele mesmo, tivesse sido, também, o Minotauro; matá-lo, então, teria exigido matar-se. Pág. 34

--- Isabelle Vitorino ---

Postar um comentário

Obrigada pela visita, dê sua opinião, participe e volte sempre.

- Caso tenha uma pergunta deixe seu e-mail abaixo que respondo assim que o comentário for lido.

- Caso sua mensagem não tenha relação com o post, envie para o e-mail.