Resenha: A Árvore do Halloween por Ray Bradbury

O Halloween terminou há alguns dias, mas nunca é tarde para indicar uma leitura de qualidade (mesmo que temática). Ainda mais quando ela é recheada de aventuras e de uma narrativa contagiante!

Título: A Árvore do Halloween
Autor: Ray Bradbury
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 160
Ano: 2014
Onde comprar: Saraiva
Na noite do dia 31 de outubro, em uma pequena cidade dos Estados Unidos, oito garotos vestem suas fantasias e saem às ruas em busca de Gostosuras ou Travessuras. Ao perceberem o desaparecimento de um nono integrante, o grupo decide explorar a casa mal-assombrada do outro lado da imensa ravina. Nos fundos da propriedade, eles descobrem uma gigantesca e magnífica árvore, repleta de abóboras de diferentes tons, formas e tamanhos. Em cada uma delas, há um rosto talhado. Eles nem imaginam o que estão prestes a conhecer. A trama, por meio de metáforas e personagens históricos, dá uma aula a respeito desta data tão comemorada ao redor do planeta. Os jovens, na perseguição pelo amigo desaparecido, viajam pelo tempo, passando pelo Egito Antigo, pela Grécia dos filósofos, e pela Paris medieval, aprendendo as origens do Halloween, bem como o porquê do terror, das mortes e das assombrações associados a ele. 

Era noite de Halloween e Tom e seus amigos não poderiam estar mais animados. Vestidos com as fantasias dos personagens mais aterrorizantes que eles puderam imaginar, eles saíram de casa determinados a ter suas Gostosuras ou a realizar muitas Travessuras. No entanto, toda a promessa de diversão estava ameaçada pela falta de Pip, o nono integrante do grupo. Em busca de respostas para o desaparecimento do amigo, eles vão até a estranha propriedade que ficava mais além dos limites da cidade e acabam conhecendo o estranho proprietário do local que os convidam para uma noite mágica e repleta de surpresas.

Ray Bradbury é um dos grandes nomes da ficção científica, cujos leitores em geral podem até não ter lido as suas obras, mas certamente reconhecerão títulos como “As Crônicas Marcianas” e “Fahrenheit 451”, dado o reconhecimento que o autor obteve no universo literário. No entanto, imagino que poucas pessoas saibam que o autor falecido em 2012 também escreveu livros para um público mais jovem e que o fez com a mesma maestria que se tornou uma de suas principais marcas.


“A Árvore do Halloween” pertence a este legado, pois trazendo uma aventura contagiante protagonizado por oito garotos e um ser misterioso no Dia das Bruxas, Bradbury convida o leitor a não só conhecer as origens dessa data comemorativa, como também, deixar seus pensamentos irem mais além junto com os seus personagens. Escrito em terceira pessoa, mas focado na figura do menino Tom, desde o princípio é possível ver a empolgação com a qual as crianças americanas encaram as festividades do Halloween.

Ainda mais quando a possibilidade de se fantasiar de maneira assustadora e comer tantos doces quanto possível são os pontos altos da noite para eles. Mas será que eles sabem todas as influências que a festividade sofreu até chegar o ponto que eles conhecem? Pelo jeito, Ray achava que não. Tanto que nesse livro ele concerne aos garotos uma noite mágica, onde eles viajam por várias eras para conhecer desde os rituais de morte dos egípcios até a perseguição sofrida pelas bruxas na Europa.


Apesar de a narrativa ser leve e por vezes um pouco superficial, é notório a crítica religiosa embutida no texto do autor. Principalmente porque ele foca na causa da extinção e perseguição de determinadas culturas politeístas: o cristianismo. Todavia, não é nada que possa deixar os leitores que não gostam da temática incomodados, mas é algo que pode sim, deixar os demais leitores inquietos e sedentos por mais. Mas o autor não parou por aí, para construir sua história, ele ainda utilizou canções e rimas que tornou tudo ainda mais encantador e que deu o toque essencial para que o livro se firmasse na categoria infantojuvenil.

Com belas ilustrações de Joseph Mugnaini, é impossível não sentir que elas completam a perfeição, a assombrosa – embora divertida – história dos garotos que tiveram a chance de conhecer de perto cultuas extintas há tanto tempo, mas que de uma forma ou de outra continuam exercendo certa influência no mundo moderno mesmo que não saibamos. Em suma, um livro para os jovens, mas que pode (e deve) ser apreciado também pelos mais crescidos.

– Ah, Sr. Montarlha, será que nós algum dia deixaremos de temer as noites e a morte?
– [...] Quando vocês alcançarem as estrelas e lá viverem para sempre, todos os medos irão embora e a própria Morte morrerá. Pág. 153

Playlist:
--- Isabelle Vitorino ---

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