Resenha: Querido Diário por Christina Kilbourne

Livros que trazem uma trama mais profunda sempre me chamam a atenção. No entanto, não é sempre que os escritores acertam quando apostam em enredos desse tipo. Por sorte, Christina Kilbourne não só acertou em cheio como me surpreendeu sobremaneira. Venham comigo e saibam mais detalhes sobre essa história!

Título: Querido Diário
Autor (a): Christina Kilbourne
Editora: Companhia Editora Nacional
Páginas: 216
Ano: 2013
Onde comprar: Saraiva | Submarino
Maxine e sua melhor amiga Leah se divertiam conversando com garotos na internet. Suas outras amigas invejavam seus novos relacionamentos, enquanto seus pais ignoravam todas as mensagens de amor que iam e vinham. E daí se Max e Leah mentiram quanto à idade e ao local onde moravam? Era só na internet... só por diversão. Mas, quando Leah desapareceu, Max percebeu que não eram só elas que contavam mentiras na internet. Através de anotações em seu diário, Max conta o desespero de perder Leah e seu esforço para seguir em frente depois de tudo que aconteceu.

Maxine e Leah são melhores amigas e adoram passar seu tempo livre conversando com garotos através da internet. Por não ter muito o que fazer na pequena cidade onde moram, não são raros os momentos em que elas se apegam a algum dos garotos e passam a dedicar todo o seu tempo em longas conversas por e-mail. Suas amigas sentem inveja delas, afinal, nenhuma tinha esse tipo de liberdade em casa ou disposição para estar sempre na casa de Leah como a Max faz. Mas as coisas são mais complicadas do que aparentam ser, pois por trás de todo o clima de diversão há riscos que elas ignoram completamente ao se envolver com pessoas que elas não sabem nem como são. Quando Leah desaparece, Max passa a entender um pouco mais dos segredos que palavras falsas podem esconder e utiliza o seu diário para enfrentar as dolorosas verdades que passa a conhecer.

Escrito em forma de diário o livro da Christina Kilbourne traz um assombroso relato de uma garota de 12 anos de idade que viu sua vida ameaçada de todas as formas quando a sua amiga desaparece após marcar um encontro pela internet. Durante todo o tempo podemos acompanhar os sentimentos conflitantes de Maxine e a dificuldade que ela tem de seguir em frente sem Leah. Está claro que ela precisa de um fechamento, porém, ele vai além de saber se sua amiga está viva ou morta. Na verdade, o que ela mais necessita é saber que a pessoa por trás do desaparecimento de Leah está atrás das grades. Ela precisa disso porque ela também poderia ter sido vítima de alguém mal intencionado se a tragédia não tivesse ocorrido antes.

Nesse sentido, a autora foi fantástica. Pois durante a leitura é impossível não sentir um soco no estômago quando vemos que Max tem medo de tudo e já não encontra mais motivo para viver. Por causa de sua aproximação com Leah, o sentimento de culpa ameaça dominá-la a todo instante e nada parece poder tirá-la desse estado de letargia. Por mais que tentem, a família, os amigos e a terapeuta nunca conseguem uma reação dela que vá além de um misto de raiva e tristeza. Por observamos tudo através de seus olhos, por vezes nos sentimos incomodados com o poder dos seus sentimentos e a força de suas palavras. Talvez tenha sido toda essa intensidade que me fez custar a acreditar que a garota tinha apenas 12 anos. Seus escritos deixavam tão claro que a maturidade era uma característica forte nela, que na minha cabeça Max tinha por volta de 15 anos de idade e isso foi um ponto contra a veracidade do livro.

No entanto, apesar desse fato ter me incomodado o tema que a autora trabalha em seu livro se torna muito mais importante que isso. Já que em uma época onde a grande maioria da população tem acesso a internet é de grande valia ver um livro que aborda os crimes virtuais ser acessível aos jovens – que são as maiores vítimas desse tipo de crime – e que ainda tem uma linguagem compatível com a deles. Tenho certeza que assim como o bullying, esse é um assunto que deve ser amplamente discutido em casa e nas escolas. Esclarecer e alertar são as melhores ferramentas para tratar de temas como esse sem deixar margem para a curiosidade, por isso os responsáveis de crianças e jovens que tem acesso à internet devem usar essas ferramentas ao seu favor sempre que necessário.

Outra vertente que a autora explora é a investigação criminal, só que essa em menor proporção. Talvez isso se deva ao fato do livro trazer apenas o ponto de vista de alguém tão jovem quanto Max. Mas ainda assim, é algo que vem para coroar o brilhantismo da autora que foi além na sua proposta de escrever um livro para jovens sobre o perigo que os espreita através da internet. Apesar de ser chocante em alguns níveis, é um livro que não só vale a pena ser lido, como também, deve ser lido. Principalmente por aqueles que têm jovens em casa e não compreendem a totalidade de riscos ao qual eles estão expostos todos os dias.


Eu achava que não restavam mais lágrimas em mim, que tinha chorado todas durante o verão, mas de repente eu não consegui me conter... As lágrimas simplesmente apareceram, e continuaram correndo, mesmo quando eu tentei parar. Pág. 77

Playlist:


--- Isabelle Vitorino ---

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