Resenha: Suíte Nº 3 por Yeda Lins

Perceberam como esse mês eu estou trazendo resenhas de livros nacionais? Particularmente eu tenho gostado bastante das minhas leituras, ainda mais, pela diversidade de temas que os autores têm abordado em suas histórias. Mas se nas semanas anteriores tivemos um thriller e um livro cheio de textos, hoje trago para vocês um pouco de romance. Espero que gostem!

Título: Suíte Nº 3
Autor (a): Yeda Lins
Editora: Penalux
Ano: 2013
Páginas: 148
Onde comprar: E-mail da autora Yeda Lins
Um recreador de hotel faz um empréstimo para ajudar um tio doente. Sem condições de pagar e sofrendo ameaças, ele se aproxima de uma moça pouca atraente, porém culta e muito rica, para conseguir o dinheiro. Disposta a experimentar novas emoções em sua vida, ela aceita o envolvimento, dentro do limite estabelecido pelo seu lado racional. A partir daí, começa uma aventura romântica que vai prender você até a última linha.

Vera é uma mulher rica, inteligente, mas muito solitária. Com 32 anos de idade e sem nunca ter tido um namorado, ela se sente feia e tem por companhia apenas os livros e sua família. Contudo, após alguns meses da morte de seu pai, ela é surpreendida por um homem extremamente atraente que se aproxima dela no lançamento de um livro e que tenta seduzi-la a qualquer custo. Desconfiada do que está acontecendo, mas curiosa para saber quais as intenções daquele homem, ela aos poucos deixa se envolver pelo charme de Sérgio, sem saber que por trás daquela beleza ele esconde segredos e intenções nada nobres. Sem conseguir controlar a vontade de viver algo novo, Vera acaba se entregando a Sérgio. O que ela não desconfia é que essa atitude o coloca em um grande impasse onde apenas o dinheiro dela não será suficiente para que ele se sinta em paz novamente.

Eu sou uma apaixonada por romances. Gosto de lê-los sempre porque isso me faz bem. Ainda mais quando são aqueles com reviravoltas, tramas bem intricadas e com um casal capaz de fazer o leitor suspirar junto com eles. Acredito que por isso fiquei tão empolgada quando recebi ‘Suíte Nº 3’ e mal pude esperar até conseguir ter um tempo para iniciar a leitura. Contudo, o que começou com tanto otimismo da minha parte acabou sendo uma experiência mediana para mim no final das contas, já que com personagens sem muito atrativos, a autora nos apresenta uma história que apesar de ser leve e fluída, não consegue causar grandes emoções no leitor.

O motivo disso está concentrado em dois pontos principais: primeiro, a ausência de maiores detalhes durante o desenvolvimento da trama; segundo, a caracterização superficial dos personagens. No que tange ao primeiro, não consegui sentir muita verdade nos sentimentos dos personagens, a falta de aprofundamento nas cenas e o modo acelerado com que o tempo transcorria no livro, me passou uma sensação de superficialidade que acredito que teria sido diferente se autora tivesse esmiuçado um pouco mais os acontecimentos narrados. Isso influenciou de modo muito direto a forma como eu vi os personagens, já que por as coisas se desenvolverem tão rapidamente, tudo o que acontece com eles parece que chega ao leitor de modo resumido e não na íntegra. Esse ponto me incomodou em particular, porque foi ele que me manteve afastada dos personagens sem me apegar ao drama de nenhuma deles.

A Vera, por exemplo, era uma personagem que tinha tudo para me conquistar: reservada, leitora voraz e inteligente. Porém, não simpatizei muito com ela, achei-a tão previsível e tão tola com relação ao Sérgio que não via a hora de ler outro ponto de vista que não fosse o dela. O Sérgio tão pouco conseguiu me convencer de que tinha alguma virtude, em minha opinião, todas as atitudes dele foram tão friamente calculadas e ao mesmo tempo tão contraditórias que as coisas entre ele e eu ficaram em uma zona neutra. Entretanto, gostei bastante de alguns personagens secundários e da maneira com que a autora os inseriu na narrativa e a importância que ela deu a cada um deles.

Um dos positivos do livro é que ele é cheio de reviravoltas, por isso as coisas nunca estão muito seguras. Quer dizer, não quando o assunto envolve a Vera, pois ela não só consegue ser sempre parcial e perdoar os erros de Sérgio – por mais que eles sejam injustificáveis –, como também, toma uma decisão apenas para modificá-la completamente na linha seguinte quando ele vai atrás dela. Queria que ela tivesse mais pulso firme e tomasse decisões mais concretas, creio que isso deixaria o enredo mais surpreendente e não deixaria no leitor a sensação de que sabe exatamente o que vai acontecer na página seguinte. Além disso, as cenas que se desenrolaram fora do país também me agradaram bastante, principalmente a cena final que foi bem bonitinha com direito a fogos de artifício e tudo mais.

Em suma, o que posso dizer pra vocês é que ‘Suíte Nº 3’ apesar de ter uma boa premissa, não me conquistou por completo. Salvo algumas cenas eu passei a maior parte do tempo incomodada com a narrativa direta demais e com os personagens sem muitos atrativos – dado a obviedade com que agiam. Contudo, acredito que os leitores que apreciam narrativas sem muitos detalhes, cenas eróticas descritas de modo mais cru e um enredo que transcorre de modo rápido, irão gostar do livro mais do que eu. Ou seja, não se prendam apenas em minha opinião, se ficou curioso: dê uma chance ao livro.


 [...] Tudo desmorona, todas as certezas se enfraquecem, todos os planos são desfeitos, diante desse sentimento que nenhum poeta ou escritor ou tese de mestrado conseguiu descrever até hoje com clareza: o amor. Pág. 132

Playlist:


--- Isabelle Vitorino ---

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