Resenha: Bela Maldade por Rebecca James

Conheci o livro ‘Bela Maldade’ na época em que ele foi lançado. Recordo-me que ele causou o maior burburinho por entre os leitores e hoje, após pouco mais de dois anos, eu pude entender o porquê: ele é extremamente perturbador.

Título: Bela Maldade
Autora: Rebecca James
Editora: Intrínseca
Páginas: 302
Ano: 2011
Onde comprar: Submarino
Após uma horrível tragédia que deixou sua família, antes perfeita, devastada, Katherine Patterson se muda para uma nova cidade e inicia uma nova vida em um tranquilo anonimato. Mas seu plano de viver solitária e discretamente se torna difícil quando ela conhece a linda e sociável Alice Parrie. Incapaz de resistir à atenção que Alice lhe dedica, Katherine fica encantada com aquele entusiasmo contagiante, e logo as duas começam uma intensa amizade. No entanto, conviver com Alice é complicado. Quando Katherine passa a conhecê-la melhor, percebe que, embora possa ser encantadora, a amiga também tem um lado sombrio. E, por vezes, cruel. Ao se perguntar se Alice é realmente o tipo de pessoa que deseja ter por perto, Katherine descobre mais uma coisa sobre a amiga: Alice não gosta de ser rejeitada...

Katherine está longe de ter uma vida perfeita, tendo sofrido uma perda irreparável e sendo vítima de uma tragédia, ela sai da casa dos seus pais e tenta viver da melhor maneira que pode em Sidney. Desde que se mudou ela está com o pensamento fixo em ser alguém tão comum a ponto de não chamar a atenção de ninguém, porém, para a sua surpresa uma das garotas mais populares da escola tenta se aproximar dela e se tornar sua amiga. O nome dessa garota é Alice e por mais que Katherine não queira, acaba se rendendo ao encanto de sua mais nova amiga e permite que ela entre em sua vida. Com o passar do tempo, ela vai observando que apesar de ser linda, radiante e carismática, Alice esconde uma personalidade destrutiva. Não que isso a impeça de continuar estando ao lado dela, mas após uma atitude vil e cruel que fere profundamente o seu amigo Robbie, Katherine passa a questionar a amizade de Alice e descobre que ela pode ser ainda mais cruel do que ela imaginava.

Eu não sei porque, mas há alguma coisa estranha na narrativa da Rebecca James que deixa o leitor perturbado durante toda a leitura. Não que isso seja impedimento para continuar, já que com uma escrita ágil, a autora nos impele a prosseguir com a história de tal modo que quando nos damos conta várias páginas se passaram e a curiosidade de saber o que nos aguarda no final é maior do que o cansaço por estar a horas conectada a sua trama. Dividido em duas partes, o livro é marcado por uma narrativa em primeira pessoa, mas que não segue uma ordem cronológica, já que apresenta fatos do presente, passado e futuro. E por mais esquisito que possa parecer eu falar que sabemos do futuro da história, na prática não é, pois ao que parece a história é uma narração dos fatos após eles terem ocorrido, onde a protagonista nos revela como se sentiu em cada um desses momentos como se tudo estivesse acontecendo em tempo real. Com certeza uma forma de escrita diferente, mas nem por isso menos genial.

Acredito que se fosse em outra época, essa forma distinta de narrar a trama poderia ter sido um problema para mim – o que atualmente não foi. Entretanto, em ‘Bela Maldade’ o que me deu razões reais para sentir incomodo foi a protagonista Katherine e seu ar de pessoa apática que não vê sentindo algum para viver após ter sobrevivido a uma tragédia que tirou a vida de sua irmã caçula. É certo que ela tem motivos para ser assim – já que é impossível redimi-la de parte da culpa pelo aconteceu a sua irmã Rachel –, mas isso acabou parecendo mais um pretexto para que as pessoas a consolassem e a isentassem de sua responsabilidade. 

Além disso, a maneira contraditória com que ela agiu em relação a Alice me irritou, pois ela não só permitiu que a outra entrasse em sua vida no mesmo dia em que diz que não queria ninguém próximo a ela, como também, deixou que esta conquistasse o posto de ‘melhor amiga’. Isso pode ter sido ingenuidade por parte dela, mas com alguém como Alice é quase impossível se deixar levar, porque apesar dela ter seus momentos simpáticos, é visível que ela sofre de um sério transtorno psicológico. Nenhum ser humano normal age da maneira que ela agiu. Porque sim, mesmo ela parecendo ser uma criança birrenta ela foi má e cruel na maior parte do livro e eu acho sinceramente que ela era uma sociopata com um potencial imenso de destruir a vida de alguém.

E é por isso que não gostei da maneira que a autora solucionou as coisas mesmo compreendendo que aquilo era o melhor a se fazer. Todavia, não pensem que com essas críticas eu quero dizer que o livro é mediano, porque não é. Ele não só está acima da média, como também, traz com que ele a capacidade de nos fazer questionar nossas atitudes e posicionamentos com relação a coisas realmente importantes em nossas vidas. Isso, associado ao poder da narrativa de Rebecca me faz recomendá-lo sem medo de que estarei indicando algo que não vale a pena ser lido. Só peço aos leitores que estão dispostos a entrar de cabeça na história de Katherine que se recordem que esse é um livro denso e inquietante nos mais variados níveis e que por isso, pode não ser de fácil leitura.


É mais seguro não ser muito curiosa em relação aos outros, é mais seguro não perguntar. Pág. 13

Playlist:


--- Isabelle Vitorino ---

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