É Filme: Mama


"Terror e drama sempre foram abordados sob uma perspectiva muito simplória, sempre há mais de um que do outro nos longas, o que sempre acaba deixando-os em falta com o espectador". Foi esse o discurso que eu tinha em mente quando comecei a assistir ‘Mama’, mas eu não poderia estar mais enganada. Pois com uma carga dramática que comove até as pessoas mais duronas, a história nos conduz desde o princípio por um entremeado de informações assustadoras que nos fazem questionar qual será o resultado delas depois... Curiosos para saber do que estou falando? Então, leiam esta resenha até o final e depois me contem se concordam comigo ou não.

Título: Mama
Título original: Mamá
Lançamento: 2013 (EUA)
Direção: Andres Muschietti
Elenco: Jessica Chastain, Nikolaj Coster-Waldau, Megan Charpentier, Isabelle Nelisse, Daniel Kash.
Duração: 100 min.
Gênero: Terror, Suspense.
Quando o pai de Victoria e Lilly mata a mãe das garotas, as crianças fogem assustadas para uma floresta. Durante cinco anos, ninguém tem notícia do paradeiro delas, até o dia em que elas reaparecerem, sem explicarem como sobreviveram sozinhas. Os tios das duas, Lucas (Nikolaj Coster-Waldau) e Annabel (Jessica Chastain) adotam Victoria e Lilly e tentam dar uma vida tranquila às duas, mas logo eles percebem que existe algo errado. As duas conversam frequentemente com uma entidade invisível, que chamam de "Mama". Lucas e Annabel não sabem se acreditam nas meninas, ou se devem culpá-las pelos estranhos acontecimentos na casa.

Victoria e Lilly são duas irmãs que desde pequenas presenciaram eventos tão traumatizantes que poderiam ser considerados insuperáveis por alguns. Ainda na tenra idade, seu pai assassinou sua mãe e as levou a uma floresta com a clara intenção de matá-las também. Salvas por uma entidade que passa a criá-las, as meninas aos poucos perdem os traços civilizados e se transformam em algo distante do que significa humanidade. Inconsciente sobre a realidade dos fatos que cercam suas sobrinhas, Lucas continua em uma busca implacável pelas garotinhas desaparecidas e apesar de todos os indícios apontarem para a morte delas, sua esperança não o abandona e um dia ele é surpreendido com a notícia de que ambas estão vivas, apesar de transformadas. Determinado a cuidar das meninas, Lucas e sua namorada Annabel, passam a criá-las como se fossem suas, mas além dos problemas enfrentados pelo delicado estado psicológico em que ambas chegam, eles ainda tem que enfrentar a Mama, que não está disposta a deixar suas “filhas” as abandonarem tão facilmente.

Já nos primeiros minutos do filme acompanhamos as garotinhas Victoria e Lilly sendo levadas pelo pai em direção à morte, e mesmo sem saber o que futuro reserva para elas após ser salva pela ‘Mama’, o espectador se sente impelido a gostar mais daquela entidade do que do pai delas. Com o decorrer da história vemos pouco da interação das meninas com ela, mas fica subentendido que ela as criou da melhor forma que pode com aquilo que ela tinha. Vendo as coisas desse modo, devo dizer que me senti um pouco forçada a gostar dela porque as meninas tinha uma dívida de vida com elas, talvez por isso, eu tenha implicado mais do que o normal com o enredo e declarei em alto e bom som que o filme não estava me agradando.

Contudo, tive que engolir o que disse, pois o roteirista me surpreendeu ao abordar os traumas psicológicos que as garotas carregavam e não focou apenas no terror que a presença da ‘Mama’ causava. E é através de seções com um psicólogo que vemos o quanto a realidade das meninas foi modificada desde o dia em que foram levadas. A Victória, que tinha pouco mais de quatro anos de idade na época, ainda conserva um pouco de suas memórias, por isso apesar de ser reservada ela demonstra que ainda tem salvação, entretanto, a pequena Lilly, que era apenas um bebê, deixa claro que uma recuperação é quase impensável, já que mesmo com toda a paciência e cuidados que o Lucas e a Annabel tem com ela, ela continua no mesmo estado mental e age quase como se fosse um animal. Acredito que por isso, mesmo sem querer acreditar, os acontecimentos finais não me surpreenderam tanto. E sendo a surpresa um dos principais critérios na elaboração do final, a história perdeu um pouco do seu brilho, apesar de ainda assim emocionar o espectador.

Outra coisa que também me incomodou foi a representação da Mama, ela estava tão digitalizada que mesmo que eu quisesse, eu não conseguia sentir tanto medo dela assim (quem sabe se a produção tivesse sido mais bem feita eu teria acredito mais nas cenas em que ela era a protagonista?). Agora o que me surpreendeu mesmo foram as atuações das pequenas Megan e Isabelle, pois apesar de terem elogiado sobremaneira a Jessica, para mim foram as meninas que deram um show à parte com suas caracterizações tão realistas e profundas.  


E é analisando o filme como um todo que vejo que os deslizes cometidos, seja no roteiro, seja na hora de produzir o filme, tiraram um pouco da profundidade que a premissa dava a entender que os espectadores teriam e é por isso que apesar de ser um filme muito bom, não entra para o Top 5 de melhores produções de Guillermo Del Toro que para mim é liderado pelo singular e belo 'O Labirinto do Fauno'. Todavia, ainda assim, é um filme que vale à pena ser visto, só aconselho que não vá com muitas expectativas, pois esta sim é uma história do tipo ame ou odeie, que pode fazer você se arrepender de tê-la visto logo nos primeiros minutos se você não tiver paciência suficiente para aguardar as surpresas do enredo – que com certeza virão.


Playlist:

--- Isabelle Vitorino ---

5 comments

Dany 6 de agosto de 2013 18:30

Eu gostei do filme.Não é um dos meus preferidos no gênero de terror mais é muito bom.
Fora que os efeitos ficaram bem feitos.
Beijos.

aninha 7 de agosto de 2013 18:06

sabe uma pessoa covarde com filmes de terror? pois é, sou eu. culpem O Exorcista por isso. rsrs sou daquelas que passa semanas impressionadas com o que viu =/ com Mama não foi diferente, inventei de assitir com meus amigos e passei dois dias olhando pra sombras esperando sair alguma coisa delas. mas deixando um pouco minha covardia de lado, esperava mais do filme, sendo a direção do Guillermo Del Toro, mas o filme cumpre o que promete. não tem quem faça eu ver de novo, então cumpriu sua função, me assustou e muito. rs

IsabelleVitorino 9 de agosto de 2013 19:53

Eu demorei um pouco para gostar da história. Tive que esperar um momento ou dois para realmente dizer que gostei do conjunto da obra.
Concordo com você que os efeitos ficaram legais, só não gostei muito da 'Mama', porque achei que ela estava muito digitalizada. Teria sido de arrepiar ainda mais se fosse uma pessoa interpretando.
Beijos! <3

IsabelleVitorino 9 de agosto de 2013 20:06

Aninha, eu sou o tipo estranho de pessoa que dá muita risada com filmes de terror. 'O Exorcista' é um exemplo disso, fui inventar de assistir ele com uns amigos em um salão paroquial à noite onde também faziam velórios, até aí tudo bem, demos bastante gargalhadas com o filme e algumas cenas bem toscas, contudo, de repente um barulho enorme começou a vir do telhado como se alguém tivesse jogando pedras nele; mortos de medos, nos unimos em fomos em direção a porta, chegando lá, vimos quem era o responsável por aquilo: minha mãe querendo que eu fosse pra casa. hahahaha Agora acho isso tudo uma comédia, mas no dia foi bem angustiante, sem falar, é claro, humilhante!
Nossa, tem uns filmes que eu também fico assim, mas a maioria deles são os que envolve o sadismo. Morro de medo de psicopatas e serial killers. Muito mais do que de coisas sobrenaturais.
Não sei se você já assistiu 'O Labirinto do Fauno', mas acredito que ele é muito superior a 'Mama'. Sem falar nas demais de produções que Guillermo Del Toro está envolvido. De verdade, além de Tim Burton, ele tem conquistado o meu respeito como diretor e produtor.
Ah, quando quiser algo assustador é só assistir 'Supernatural' sozinha. Tem episódio bem lights, mas tem outros que até eu que sou fã fico olhando para os lados para ver se vai sair alguma coisa das sombras. rsrs
Beijos!

Rosana Apolonio 5 de setembro de 2013 15:18

Eu adoro filmes de terror e amo "O Labirinto do Fauno", infelizmente ainda não tive oportunidade de ver "Mama", mas estou pretendendo resolver logo isso, pois fiquei bastante curiosa com relação a história que o Guillermo Del Toro trouxe no seu novo trabalho. ;)

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