Resenha: A Vida em Tons de Cinza por Ruta Sepetys

Li esse livro ontem (21/08/2012) e não pude dormir, fiquei repassando essa história por tantas vezes na minha mente que agora ainda não sei se conseguirei mostrar para vocês tudo que eu senti ao ler cada linha, cada página, que Ruta escreveu. Desculpem-me pelo tamanho da resenha, mas por favor, leiam. É importante para mim saber que alguém se interessa em ler uma história que retrata a vida e morte de aproximadamente 20 milhões de pessoas entre lituanos, estonianos e letônios, mas que simplesmente era desconhecida por boa parte da humanidade.

Título: A Vida em Tons de Cinza
Autor (a): Ruta Sepetys
Editora: Arqueiro
Ano: 2011
Páginas: 240
1941. A União Soviética anexa os países bálticos. Desde então, a história de horror vivida por aqueles povos raras vezes foi contada. Aos 15 anos, Lina Vilkas vê seu sonho de estudar artes e sua liberdade serem brutalmente ceifados. Filha de um professor universitário lituano, ela é deportada com a mãe e o irmão para um campo de trabalho forçado na Sibéria. Lá, passam fome, enfrentam doenças, são humilhados e violentados. Mas a família de Lina se mostra mais forte do que tudo isso. Sua mãe, que sabe falar russo, se revela uma grande líder, sempre demonstrando uma infinita compaixão por todos e conseguindo fazer com que as pessoas trabalhem em equipe. No entanto, aquele ainda não seria seu destino final. Mais tarde, Lina e sua família, assim como muitas outras pessoas com quem estabeleceram laços estreitos, são mandadas, literalmente, para o fim do mundo: um lugar perdido no Círculo Polar Ártico, onde o frio é implacável, a noite dura 180 dias e o amor e a esperança talvez não sejam suficientes para mantê-los vivos. A vida em tons de cinza conta, a partir da visão de poucos personagens, a dura realidade enfrentada por milhões de pessoas durante o domínio de Stalin. Ruta Sepetys revela a história de um povo que foi anulado e que, por 50 anos, teve que se manter em silêncio, sob a ameaça de terríveis represálias. 

Lina é uma jovem lituana de 15 anos de idade, seu sonho é ser artista e aprimorar sua técnica em desenhos, ela mora com sua mãe, seu irmão caçula e seu pai, um professor universitário, na Lituânia. Contudo, na noite de 14 de junho de 1941 soldados da NKVD (a posterior KGB) invadiram sua casa e obrigaram ela, sua mãe e seu irmão entrarem em um caminhão lotado de pessoas, seu pai, ela não sabia onde estava, mas dentro dela algo lhe diz que ele também havia sido levado. Atormentada por não saber porque a sua família estava sendo levada embora, ela aos poucos vai descobrindo que os soldados, a mando de Stalin, estavam se desfazendo dela e de milhares de pessoas como um objeto que podia ser facilmente descartado. 

Após enfrentar uma longa viagem num trem de carga de animais, sem poder usar um banheiro, tendo pouco acesso a água e a comida e vendo as pessoas morrerem e serem mortas na sua frente, ela aos poucos vai percebendo que os sinais de tempos difíceis estavam presentes em sua vida à algum tempo. Segurando-se na vã esperança de que seu pai viria em seu resgate, ela trabalha com afinco ao mesmo tempo em que descobre a magia do primeiro amor em meio a um campo de trabalho forçado, mas não é só isso, através de sua força e coragem ela passa a desenhar e escrever sobre todo o sofrimento que vê. Contudo, apesar da sua determinação, todo o terror que ela e centenas de milhares de pessoas estavam vivendo era apenas o começo de uma dolorosa história de luta pela sobrevivência.

Essa é a história de Lina, de sua família e de quase 20 milhões de pessoas. Confesso que eu não sabia que esse genocídio havia ocorrido, pois assim como a maioria, sempre foi de meu conhecimento o holocausto praticado por Hitler, o tiranismo presente na Espanha na época da Guerra Civil, bem como, as terríveis decisões tomadas por Mussolini, que foi o primeiro fascista que se tem conhecimento. Por isso quando comecei a ler A Vida em Tons de Cinza e mergulhar naquela história me senti tomada pela angústia de saber que tantas pessoas passaram por humilhações inimagináveis e ninguém, absolutamente ninguém, em 50 anos tomou nenhuma providência para libertá-los. Pode ser que para algumas pessoas seja fácil ler isso e não se importar, mas para mim não foi e não é, pois imaginem vocês, trabalharem durante dez, doze horas por dia para ganhar 300 gramas de pão seco enquanto soldados, representantes do poder de Stalin, estavam em uma casa confortável, comendo do bom e do melhor e vocês tendo que assistir a tudo aquilo impotente, sabendo que as únicas coisas lhe esperavam era um colchão de feno e água da chuva para beber?

É, as coisas não foram nenhum pouco fáceis para eles, mas mesmo assim eles conseguiram forças para lutar e para ter coragem de enfrentar os seus próprios medos e reagirem aquela repressão do modo como nenhum deles esperava: lutando pela vida. Como disse uma vez Martin Luther King: A escuridão não pode expulsar a escuridão, apenas a luz pode fazer isso. O ódio não pode expulsar o ódio, só o amor pode fazer isso”. E foi justamente isso que eles fizeram, lutaram contra o mal utilizando as armas que eles possuíam, amor, fé, esperança e compaixão, quando tudo indicava que eles iriam se render e se deixarem apagar pelo tempo e pela história.

Obs.: Assistam o vídeo abaixo, é emocionante.


É difícil ler esse livro sem se emocionar, é difícil escrever sobre ele sem se emocionar, é difícil saber que em algum lugar do mundo, em alguma época, pessoas boas foram humilhadas, maltratadas, pisoteadas e violentadas por alguém com sede de poder sem se emocionar, e é ainda mais difícil imaginar como todos os sobreviventes conseguiram encontrar amor, esperança e compaixão em meio a guerra sem se emocionar. Um conselho? Leia este livro. Repasse essa história. Não por ela falar sobre o que a sede de poder pode fazer com um homem, mas sim, por ela falar de como até mesmo nos tempos difíceis e na mais completa escuridão é possível encontrar a luz.

Saí da jurta para ir cortar lenha. Comecei minha caminhada pela neve, 5 quilômetros até o limite das árvores. Foi então que vi. Uma fina nesga dourada surgir em meio à escuridão cinza do horizonte. Fiquei olhando para aquela faixa de luz âmbar com um sorriso no rosto. O sol tinha voltado. Pág. 235

Playlist:
--- Isabelle Vitorino ---

14 comments

Samira Chasez 22 de agosto de 2012 17:10

Oi..

Gostei muito da sua resenha, ainda não tinha ouvido falar desse livro, mas pela a sua resenha aposto que esse livro é muito e quero muito ler... =/

Leticia Tavares 22 de agosto de 2012 17:15

ótima resenha... Gosto muito de livros que são um pouco baseados em fatos reais ou do nosso cotidiano... Pq o livro fica mais real.. E essa sinopsia é maravilhosa... Vou ver se acho esse livro...

Jadi Soares 22 de agosto de 2012 22:41

Me deixou com muita vontade de ler o livro e faz tempo ja que quero le-lo. Ainda que tenha um enredo pesado, não poderia ser diferente se tratando de uma ditadura, o livro contém aspectos que adoro numa leitura. A questão histórica é uma delas, e por se tratar de algo real permite reflexões sobre as nossas vidas, que é outra coisa que adoro em um livro.
Depois desta resenha é certeza que lerei este livro, mas sinceramente não sei quando, até porque não estou numa época favorável a este tipo de livro. Mas certamente entrou na minha lista de desejos.
Bjim

Amanda.. 23 de agosto de 2012 01:02

Estava passando esses dias pelo submarino, se não me engano, e este livro estava de promoção, passei, achei um preço muito bom, porém, não conhecia sua história, ainda não sabia do que tratava, uma pena pois ao que me parece perdi uma ótima oportunidade de adquirir um bom livro.

Diziano Machado da Conceição 24 de agosto de 2012 14:02

Parabéns, conseguiu demonstrar claramente esta emoção que você sentiu ao ler o livro. E prefiro sempre livros de ficção, fantasia, aventuras, mas este livro me deixou um tanto curioso. Acredito que tenha um grande valor histórico também..
Muito bom..

Anna Cristina Amaral Rocha 24 de agosto de 2012 17:58

Oiii! Gostei da resenha, nunca tinha ouvido falar desse livro mais ele parece ser bom!

Beijos ;*

Jessica Lisboa 26 de agosto de 2012 18:31

Otima resenha, ja vi alguma criticas sobre o livro, mas agora li sua resenha quero muito ler esse livro o quanto antes.

Constantino Tarouco 26 de agosto de 2012 20:32

Esse eu posso falar que é muito bom porque eu li e achei contagiante a leitura e recomendo, pois, gostei muito de ler ele. Comprei em uma excelente oferta na submarino e o livro valia até mais.

Viviane de Andrade 27 de agosto de 2012 12:46

Uau. Tenho que ter esse livro URGENTE !! Gosto muito de livros que contam história de guerras e coisas do tipo. Gostei bastante da resenha, sucesso.

http://devaneioselivros.blogspot.com.br
@DevaneiosLivros
Viviane de Andrade

Jenice Franca 27 de agosto de 2012 16:49

Oi,Isabelle!
Li linha por linha e você conseguiu transpor em cada uma delas a inquietação que este lvro nos traz. Confesso, que sempre que posso leio narrativas que tratem da Segunda Guerra, pois não podemos esquecer dos erros que foram cometidos e que de modo algum voltemos a repetir tantas atrocidades. Mas o ser humano é complicado...
Eu amo o título deste livro porque acho extremamente poético. Além de achar muito interessante ele trazer a Segunda Guerra sob a perspectiva de um outro país que não seja a Alemanha.

Jessica Lisboa 29 de agosto de 2012 17:33
Este comentário foi removido pelo autor.
Paula Camargo 31 de agosto de 2012 10:18

Comprei esse livro na promoção do submarino essa semana! nÃO vejo a hora de começar a lê-lo ;D

Kazake 31 de agosto de 2012 20:43

Acho a capa linda, e realmente me chamou a atenção. Mas fico ainda meio na dúvida sobre o conteúdo =(

EricaMarts 31 de agosto de 2012 23:12

A história do livro parece ser muito boa, eu gostei da sua resenha mas não quero ler esse livro. Mas se alguém me perguntar por algo neste estilo já sei o que recomendar.

Bye

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